Tinha a vida que pedira a Deus. Um marido rico e bonito, que lhe deu uma casa grande e confortável, empregadas para trabalharem nela e os três filhos tão desejados, cujos nomes ela escolhera ainda na infância. Além da sagrada lipoaspiração que faria em breve.
Era uma bela tarde clichê de domingo. Céu azul, sol brilhando, pássaros cantando e crianças brincando na rua. Sua filha mais nova, porém, estava trancada no quarto desde cedo e assim passaria o resto do dia, se nada fosse feito. Era inconcebível e era seu dever, como mãe, mudar aquilo.
– Larga isso, Gi! – gritou horrorizada ao entrar. A menina não só largou o que segurava como jogou longe, mais por susto que por obediência.
– Mãe? O que você...
– O que você estava fazendo, Gisele? – perguntou, naquele tom comum aos pais quando estão chamando a atenção dos filhos.
– Ué, mãe, eu estava lendo.
– E você me diz isso assim, com a maior cara lavada, nessa tranqüilidade? Você deveria estar lá fora, brincando como as outras crianças... e queimando calorias! Quem foi que te deu isso?
– Mas eu não to enten...
– Pára de enrolar, menina, me diz quem te deu isso.
– Foi o vovô.
– Ah, seu avô... Como se não bastasse já ter estragado o menino, agora quer levar você também.
– Mas, mãe, qual é o problema?
– Ora, o problema é que ler é para pessoas chatas; e você, mocinha, está muito nova pra essas coisas. Mas vamos esquecer isso. Vem, vamos comprar umas maquiagens novas pra você. Aproveita e, durante o caminho, me conta sobre os meninos da escola.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário