O branco virou rosa; apesar de dizerem que, na verdade, era vermelho; e resultou nisto:
Mal acabara de cair no sono e o despertador já buzinava em seu ouvido. Detestava quando isto acontecia, sentia-se como se não tivesse dormido. Mas tudo bem, pensou, o dia prometia ser maravilhoso e ele manteria o bom humor. Levantou e fez tudo como nos outros dias. Tomou o cuidado de vestir a sua camisa preferida.
Caminhava pelas ruas com um sorriso nos lábios e displicentemente distraído. Acordou quando ouviu gritarem o seu nome:
─ Felipe!
─ Thiago, fala aí, meu irmão!
─ Está com a cabeça onde, cara? Te chamei umas três vezes antes de você me escutar.
─ Poxa, desculpa. É que hoje vou ser apresentado como novo sócio lá na empresa onde eu trabalho. Tenho me sentido nas nuvens desde que recebi a notícia.
─ Que bom, cara. Parabéns!
─ Obrigado. Mas, e aí, tudo bem?
─ Tudo certo. Pô, ontem fui a São Janu, assistir àquela vergonha.
─ Nem fala, ainda bem que eu não perdi tempo nem dinheiro.
─ Falando nisso, tudo bem que o Vasco foi rebaixado e tal. Até entenderia caso você resolvesse mudar de time, mas virar flamenguista, cara?! Que decepção...
─ Eu, flamenguista?! Cruzes, cara. Não fala isso nem brincando. Que idéia é essa?
─ Você acha que está enganando quem?
─ Não estou entendendo. De onde você tirou isso, maluco?
─ Eu estou vendo bem aqui na minha frente, na sua camisa rubronegra.
─ Ahhhhh, mas isto não é vermelho!
─ Não? Então é o quê?
─ É rosa.
─ Ah, então você virou tricolor?
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Assim caminha a humanidade
Tinha a vida que pedira a Deus. Um marido rico e bonito, que lhe deu uma casa grande e confortável, empregadas para trabalharem nela e os três filhos tão desejados, cujos nomes ela escolhera ainda na infância. Além da sagrada lipoaspiração que faria em breve.
Era uma bela tarde clichê de domingo. Céu azul, sol brilhando, pássaros cantando e crianças brincando na rua. Sua filha mais nova, porém, estava trancada no quarto desde cedo e assim passaria o resto do dia, se nada fosse feito. Era inconcebível e era seu dever, como mãe, mudar aquilo.
– Larga isso, Gi! – gritou horrorizada ao entrar. A menina não só largou o que segurava como jogou longe, mais por susto que por obediência.
– Mãe? O que você...
– O que você estava fazendo, Gisele? – perguntou, naquele tom comum aos pais quando estão chamando a atenção dos filhos.
– Ué, mãe, eu estava lendo.
– E você me diz isso assim, com a maior cara lavada, nessa tranqüilidade? Você deveria estar lá fora, brincando como as outras crianças... e queimando calorias! Quem foi que te deu isso?
– Mas eu não to enten...
– Pára de enrolar, menina, me diz quem te deu isso.
– Foi o vovô.
– Ah, seu avô... Como se não bastasse já ter estragado o menino, agora quer levar você também.
– Mas, mãe, qual é o problema?
– Ora, o problema é que ler é para pessoas chatas; e você, mocinha, está muito nova pra essas coisas. Mas vamos esquecer isso. Vem, vamos comprar umas maquiagens novas pra você. Aproveita e, durante o caminho, me conta sobre os meninos da escola.
Era uma bela tarde clichê de domingo. Céu azul, sol brilhando, pássaros cantando e crianças brincando na rua. Sua filha mais nova, porém, estava trancada no quarto desde cedo e assim passaria o resto do dia, se nada fosse feito. Era inconcebível e era seu dever, como mãe, mudar aquilo.
– Larga isso, Gi! – gritou horrorizada ao entrar. A menina não só largou o que segurava como jogou longe, mais por susto que por obediência.
– Mãe? O que você...
– O que você estava fazendo, Gisele? – perguntou, naquele tom comum aos pais quando estão chamando a atenção dos filhos.
– Ué, mãe, eu estava lendo.
– E você me diz isso assim, com a maior cara lavada, nessa tranqüilidade? Você deveria estar lá fora, brincando como as outras crianças... e queimando calorias! Quem foi que te deu isso?
– Mas eu não to enten...
– Pára de enrolar, menina, me diz quem te deu isso.
– Foi o vovô.
– Ah, seu avô... Como se não bastasse já ter estragado o menino, agora quer levar você também.
– Mas, mãe, qual é o problema?
– Ora, o problema é que ler é para pessoas chatas; e você, mocinha, está muito nova pra essas coisas. Mas vamos esquecer isso. Vem, vamos comprar umas maquiagens novas pra você. Aproveita e, durante o caminho, me conta sobre os meninos da escola.
sábado, 13 de setembro de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Caminho sem volta
Meu nome é Maria. Eu nunca tinha lido um livro na vida. Mas esta não é uma daquelas maravilhosas histórias de superação, de alguém que sempre quis, mas não tinha condições, por ser analfabeto ou não ter acesso aos livros. Não, foi tudo bem diferente.
Confesso que já nem lembro mais o porquê, mas sei que tive oportunidades e nunca me interessei. Mantinha-os bem longe de mim, aliás. Felizmente, tudo mudou há mais ou menos seis meses.
Minha sobrinha e afilhada é uma verdadeira rata de biblioteca, sempre leva um ou dois livros na bolsa, para onde quer que ela vá. Meu marido tem o mesmo gosto pela leitura, temos até uma pequena biblioteca em casa, montada por ele. Os dois foram os que mais me incentivaram esse tempo todo, sem desistir, apesar da minha resistência.
A menina, sempre muito amável, vem nos visitar toda semana, pelo menos uma vez. E, numa dessas visitas, esqueceu um livro. Acredito que tenha sido de propósito, e, se assim aconteceu mesmo, foi muito bem escolhido. Alguma coisa nele me atraía; não sei se o título, a capa, ou os dois; e assim continuou por três dias. Até que eu, finalmente, abandonei toda a minha teimosia e o peguei. Li a contra-capa e o magnetismo ficou ainda maior.
Entreguei-me, li e... Foi aí que a magia começou. Entrei num caminho sem volta. Não quis mais largar e, ao final de dois dias, tinha chegado à última página. Nada mau, para uma leitora estreiante.
Com ele descobri um novo mundo, conheci novos lugares e pessoas, dei asas à minha limitada imaginação. Descobri que sonhos, às vezes impossíveis, podem virar realidade no papel. Hoje percebo o tempo perdido, que jamais conseguirei recuperar, e agradeço todos os dias por aquele livro esquecido e por ter tido a chance de reconhecer isto.
Confesso que já nem lembro mais o porquê, mas sei que tive oportunidades e nunca me interessei. Mantinha-os bem longe de mim, aliás. Felizmente, tudo mudou há mais ou menos seis meses.
Minha sobrinha e afilhada é uma verdadeira rata de biblioteca, sempre leva um ou dois livros na bolsa, para onde quer que ela vá. Meu marido tem o mesmo gosto pela leitura, temos até uma pequena biblioteca em casa, montada por ele. Os dois foram os que mais me incentivaram esse tempo todo, sem desistir, apesar da minha resistência.
A menina, sempre muito amável, vem nos visitar toda semana, pelo menos uma vez. E, numa dessas visitas, esqueceu um livro. Acredito que tenha sido de propósito, e, se assim aconteceu mesmo, foi muito bem escolhido. Alguma coisa nele me atraía; não sei se o título, a capa, ou os dois; e assim continuou por três dias. Até que eu, finalmente, abandonei toda a minha teimosia e o peguei. Li a contra-capa e o magnetismo ficou ainda maior.
Entreguei-me, li e... Foi aí que a magia começou. Entrei num caminho sem volta. Não quis mais largar e, ao final de dois dias, tinha chegado à última página. Nada mau, para uma leitora estreiante.
Com ele descobri um novo mundo, conheci novos lugares e pessoas, dei asas à minha limitada imaginação. Descobri que sonhos, às vezes impossíveis, podem virar realidade no papel. Hoje percebo o tempo perdido, que jamais conseguirei recuperar, e agradeço todos os dias por aquele livro esquecido e por ter tido a chance de reconhecer isto.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Domingo
Aproveitando o meu dia preferido da semana, a vontade de escrever e mais uma ida ao Maracanã, escrevi o texto abaixo. Pode ser que ele tenha alguns clichês, mas julguei-os necessários.
O eu-lírico é mais um torcedor do "mais querido".
"Domingo é o pior dia da semana. Ele traz a certeza de que o recomeço de tudo está próximo. Se existir alguma relação matemática que envolva o horário do dia de domingo com o meu nível de depressão, ela, com certeza, é uma função exponencial. A cada hora, minha depressão é muito mais profunda que na passada. E, ao acordar para ir ao trabalho na segunda-feira, estou quase sempre aos cacos, mesmo que o dia anterior tenha sido de puro ócio.
Mas nem todos os domingos são dias jogados fora. Porque, como disse o Neguinho da Beija-Flor, Domingo, eu vou ao Maracanã. Vou torcer pro time que sou fã. Sim, domingo, eu vou ao Maracanã, vou torcer pro meu Mengão. Na arquibancada, é claro, que é o melhor lugar para se assistir aos jogos. Comigo não tem essa história de ir de cadeira, não, senhor.
Lá, eu me junto à massa. Esqueço todos os meus compromissos e problemas. Esqueço até quem eu sou e viro apenas mais um na multidão, apenas mais um apaixonado pelo seu time.
O momento mais esperado é o do gol, claro, e a gente se esforça do jeito que pode para trazê-lo. A gente canta, pula, grita e tenta empurrar o time para cima do adversário.
E quando ele chega... Ahhh, que alegria! A festa só aumenta e pode até ser ouvida por quem está relativamente longe.
Há quem diga que futebol é um meio de alienação (a velha política do pão e circo), que é perda de tempo e quem simplesmente não gosta. Mas, mais que a vitória, mais que os pontos ganhos, vibrar com a maior torcida do mundo, que lota o estádio naquele momento, é um prazer indescritível."
O eu-lírico é mais um torcedor do "mais querido".
"Domingo é o pior dia da semana. Ele traz a certeza de que o recomeço de tudo está próximo. Se existir alguma relação matemática que envolva o horário do dia de domingo com o meu nível de depressão, ela, com certeza, é uma função exponencial. A cada hora, minha depressão é muito mais profunda que na passada. E, ao acordar para ir ao trabalho na segunda-feira, estou quase sempre aos cacos, mesmo que o dia anterior tenha sido de puro ócio.
Mas nem todos os domingos são dias jogados fora. Porque, como disse o Neguinho da Beija-Flor, Domingo, eu vou ao Maracanã. Vou torcer pro time que sou fã. Sim, domingo, eu vou ao Maracanã, vou torcer pro meu Mengão. Na arquibancada, é claro, que é o melhor lugar para se assistir aos jogos. Comigo não tem essa história de ir de cadeira, não, senhor.
Lá, eu me junto à massa. Esqueço todos os meus compromissos e problemas. Esqueço até quem eu sou e viro apenas mais um na multidão, apenas mais um apaixonado pelo seu time.
O momento mais esperado é o do gol, claro, e a gente se esforça do jeito que pode para trazê-lo. A gente canta, pula, grita e tenta empurrar o time para cima do adversário.
E quando ele chega... Ahhh, que alegria! A festa só aumenta e pode até ser ouvida por quem está relativamente longe.
Há quem diga que futebol é um meio de alienação (a velha política do pão e circo), que é perda de tempo e quem simplesmente não gosta. Mas, mais que a vitória, mais que os pontos ganhos, vibrar com a maior torcida do mundo, que lota o estádio naquele momento, é um prazer indescritível."
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Escritora de gaveta?
Eis aqui mais um esforço para deixar de ser uma escritora de gaveta. Aliás, nem isto sou. Estou mais para "de cabeça" ou "que não escreve", porque foi sempre tão difícil... Não sou de ficar escrevendo a esmo ou como forma de terapia, para desabafar, apesar da vontade enorme de escrever, que sempre me bate.
Solução? Ora, um blog! A primeira resposta que me vinha à cabeça, todas as vezes. Assustadora, vale dizer. Escrever já me assustava; imagine, então, publicar.
Obstáculos superados, não tinha mais jeito, hora de pôr a mão na massa, na caneta e no teclado, vamos criar um blog!
"Mas que nome dar a ele?", dúvida cruel, que me acompanhou por muito tempo até que, finalmente, tive um insight e criei a minha gaveta digital.
Ainda falta resolver a questão do conteúdo, mas a idéia inicial é postar idéias e pensamentos, algo sobre os livros que eu leio, talvez, ou, quem sabe, encontrar a minha veia literária escondida.
Para ajudar a sair da gaveta:
- Nove lições para blogueiros em potencial [http://www.acessasp.sp.gov.br/html/modules/news/article.php?storyid=332]
- Série Arte de Blogar [http://www.artedeblogar.net/serie-a-arte-de-blogar/]
Solução? Ora, um blog! A primeira resposta que me vinha à cabeça, todas as vezes. Assustadora, vale dizer. Escrever já me assustava; imagine, então, publicar.
Obstáculos superados, não tinha mais jeito, hora de pôr a mão na massa, na caneta e no teclado, vamos criar um blog!
"Mas que nome dar a ele?", dúvida cruel, que me acompanhou por muito tempo até que, finalmente, tive um insight e criei a minha gaveta digital.
Ainda falta resolver a questão do conteúdo, mas a idéia inicial é postar idéias e pensamentos, algo sobre os livros que eu leio, talvez, ou, quem sabe, encontrar a minha veia literária escondida.
Para ajudar a sair da gaveta:
- Nove lições para blogueiros em potencial [http://www.acessasp.sp.gov.br/html/modules/news/article.php?storyid=332]
- Série Arte de Blogar [http://www.artedeblogar.net/serie-a-arte-de-blogar/]
Assinar:
Postagens (Atom)