Meu nome é Maria. Eu nunca tinha lido um livro na vida. Mas esta não é uma daquelas maravilhosas histórias de superação, de alguém que sempre quis, mas não tinha condições, por ser analfabeto ou não ter acesso aos livros. Não, foi tudo bem diferente.
Confesso que já nem lembro mais o porquê, mas sei que tive oportunidades e nunca me interessei. Mantinha-os bem longe de mim, aliás. Felizmente, tudo mudou há mais ou menos seis meses.
Minha sobrinha e afilhada é uma verdadeira rata de biblioteca, sempre leva um ou dois livros na bolsa, para onde quer que ela vá. Meu marido tem o mesmo gosto pela leitura, temos até uma pequena biblioteca em casa, montada por ele. Os dois foram os que mais me incentivaram esse tempo todo, sem desistir, apesar da minha resistência.
A menina, sempre muito amável, vem nos visitar toda semana, pelo menos uma vez. E, numa dessas visitas, esqueceu um livro. Acredito que tenha sido de propósito, e, se assim aconteceu mesmo, foi muito bem escolhido. Alguma coisa nele me atraía; não sei se o título, a capa, ou os dois; e assim continuou por três dias. Até que eu, finalmente, abandonei toda a minha teimosia e o peguei. Li a contra-capa e o magnetismo ficou ainda maior.
Entreguei-me, li e... Foi aí que a magia começou. Entrei num caminho sem volta. Não quis mais largar e, ao final de dois dias, tinha chegado à última página. Nada mau, para uma leitora estreiante.
Com ele descobri um novo mundo, conheci novos lugares e pessoas, dei asas à minha limitada imaginação. Descobri que sonhos, às vezes impossíveis, podem virar realidade no papel. Hoje percebo o tempo perdido, que jamais conseguirei recuperar, e agradeço todos os dias por aquele livro esquecido e por ter tido a chance de reconhecer isto.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
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